Quem a vê pela primeira
vez, pode imaginar que se trata de uma pessoa frágil até mesmo pela idade, mas é
só um ledo engano. Doraci Maria Carvalho
ou simplesmente Dona Dora, tem 68 anos, há 4 luta karatê e já está na faixa
vermelha.
O encontro com a
equipe de O FATO MANDACARU acontece no salão de beleza de Dona Dora que fica na
rua Jalbas Rodrigues Alves – Vila Santa Isabel. Chegamos com alguns minutos de antecedência e
pudemos observar a leveza de seu ser no atendimento a uma cliente. Dona Dora
termina o trabalho, troca algumas palavras com a cliente e a ouve atentamente,
tudo com um tom de voz baixo e sereno, depois se despede com um abraço e vem até ao ingresso para nos receber.
Decidimos registrar o encontro em vídeo pois o karatê é a luta mais branda que
esta corajosa mulher já enfrentou. Nos cumprimentamos e começamos o combate, que neste caso é uma entrevista;
Ligiane Ciola: Como começou essa história de praticar Karatê ? Dora: Começou com a minha neta que praticava karatê na UEM. Ela não gostava de ir sozinha e me pediu para participar das aulas, foi ai que conversei com o professor Marcelo Alessandro Pereira que também é Presidente do Instituto Hagakure de Karatê-Dô Shotokan e ele me disse que eu podia participar sim, que seria bom fazer algumas aulas para experimentar. Eu fiz e não parei mais. No início eu ficava meio perdida, afinal eu já tinha 64 anos mas todo mundo lá, me deu muito apoio e não me deixaram desistir.
ROUND 1960
Ligiane Ciola: É verdade que uma das primeiras lutas que a senhora enfrentou foi contra a ditadura ? DORA - Eu cheguei em Maringá em 1960 e fui estudar. Na época do golpe militar eu estava no Colégio João XXIII e participava do movimento estudantil contra a ditadura e por várias vezes quase fui presa. Me lembro de uma ocasião que tive que me esconder sob um banco de uma igreja, um milico passou pertinho de mim e não me viu, mas alguns colegas foram presos e apanharam. Hoje quando vejo as pessoas dizerem que querem a volta da ditadura, a volta dos militares, eu fico louca da vida pois nós sofríamos muito com a repressão, pois o estudante era mal visto, a sociedade não tinha liberdade de expressar-se. Só quem não viveu na pele o que nós vivemos pode dizer uma barbaridade dessas.
Ligiane Ciola: É verdade que uma das primeiras lutas que a senhora enfrentou foi contra a ditadura ? DORA - Eu cheguei em Maringá em 1960 e fui estudar. Na época do golpe militar eu estava no Colégio João XXIII e participava do movimento estudantil contra a ditadura e por várias vezes quase fui presa. Me lembro de uma ocasião que tive que me esconder sob um banco de uma igreja, um milico passou pertinho de mim e não me viu, mas alguns colegas foram presos e apanharam. Hoje quando vejo as pessoas dizerem que querem a volta da ditadura, a volta dos militares, eu fico louca da vida pois nós sofríamos muito com a repressão, pois o estudante era mal visto, a sociedade não tinha liberdade de expressar-se. Só quem não viveu na pele o que nós vivemos pode dizer uma barbaridade dessas.
ROUND 1972 Ligiane
Ciola: Mas depois disso sua vida mudou radicalmente, não é mesmo ? Mudou sim, eu
gostava muito de escrever e até ganhei o primeiro prêmio em um concurso com a
matéria sobre “A VIDA DE UM PALHAÇO”,
mas depois disso me casei e parei de estudar, fui morar em Curitiba. Em 1972
voltei a Maringá com um filho e mesmo assim resolvi voltar a estudar. Lutei muito para completar os meus estudos;
primeiro no Colégio Brasílio Itiberê e depois no Colégio Paraná, lá é
particular mas eu ganhei uma bolsa de estudos em um concurso da prefeitura e
pude terminar o Cientifico em uma excelente escola.
ROUND 1982 Ligiane
Ciola: E depois disso veio o vestibular ?
Dora: Veio sim,
passei na UEM em direito mas não pude frequentar, perdi o prazo para fazer a
matrícula pois a minha vida estava muito difícil naquele período, me separei e
fiquei com dois filhos menores.
ROUND 1992 Ligiane Ciola: Essa foi a luta mais difícil, a senhora pensou em
desistir ? Dora – Fazer o que ? Aí fui trabalhar,
trabalhei bastante, criei meus filhos e voltei a fazer o curso de atendente de
enfermagem no SENAC e de lá fui direto para a Santa Casa em 1992 e onde
trabalhei 4 anos e depois fui para a cardiologia do Santa Rita, lá trabalhei
quase 8 anos, no mesmo período ia uma vez por mês para Curitiba fazer o curso
de técnico de enfermagem, com a mochila nas costas, foi muito difícil, eu
pegava as matérias lá, voltava para estudar e depois ia fazer os exames. Eu já
estava pensando em fazer medicina mas aí conheci o meu segundo marido.
Trabalhei um tempo com ele que depois me ajudou a montar o salão. Estava indo
muito bem mas tive que me mudar para Curitiba pois meu marido tinha sido
transferido para lá. Na capital montei um salão e deu certo e depois de 4 anos
voltei para Maringá, abri o salão aqui de novo onde já estou há 10 anos. A luta continua, sempre.
ROUND DE MEDALHAS
Ligiane
Ciola: Mas vamos voltar para o Karatê que está coroando todas essas vitórias na
sua vida ? Dora:
É verdade, hoje sou muito feliz e realizada e não consigo imaginar minha vida
sem o karatê. Adoro treinar e competir e já ganhei várias medalhas, uma delas é
de ouro, foi uma glória, uma gratidão dentro meu coração, vou até o fim, até
chegar a faixa preta. Nunca é tarde para começar, quem tem vontade deve correr
atrás do seu objetivo. Tente, se não der certo pelo menos você tentou, não vai
ficar frustrada por não ter tentado.

