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domingo, 4 de março de 2018


JAIME VIEIRA – “O poeta da Rua Paranaguá”

Jaime Vieira nasceu em Marília, viveu a infância e parte da adolescência em Assis – SP, e só em 1967 transferiu-se com os pais para Maringá, por isso se considera maringaense de adoção. Seus feitos testemunham a favor e disso ninguém discorda.                                                                                  
   Em 1969, depois de concluir o Colegial, (atual ensino médio) no Instituto Estadual de Educação, Jaime ingressou na UEM onde e ser formou em Letras; logo após a formatura voltou para o mesmo Instituto de Educação, só que como professor de inglês.  De lá para cá foram mais de 30 anos de magistério em várias escolas de Maringá, entre elas está a Unidade Polo, onde existe até um anfiteatro que leva o seu nome.       UM LAMENTO COMO PRIMEIRA POESIA          
 “O primeiro poema, escrevi quando eu ainda usava calças curtas. Me lembro que a professora me fez passar de sala em sala para ler para os outros alunos, talvez naquele momento eu tenha recebido meu maior incentivo”.  
LAMENTO – “A cortina fechou e eu não abri.  A peça terminou e eu não assisti. A sinfonia iniciou e eu não ouvi. E aos poucos desafinou e eu não percebi. A loucura começou e eu não vi. A esperança findou e eu não vivi.  A lágrima rolou e eu engoli. A tristeza dobrou e eu sofri. A saudade ficou e eu não sorri. E você não voltou e eu lhe perdi.”                                                         Escrito por JAIME VIEIRA aos 14 anos                   
Jaime Vieira e sua histórica amizade com Paulo Leminski 
        
                                                                            
DE DESENCONTROS A REENCANTO                                                                                                                       A veia poética de Jaime não se desenvolveu imediatamente, na verdade entrou em letargo, mas não por muito tempo.  Jaime conta que durante uma prova na UEM, o Professor Leônidas Querubim Avelino – PHD em literatura comparada pela Universidade de Harvard, pediu na última questão para que os alunos escrevessem uma poesia. Os versos de Jaime impressionaram tanto, que o professor lhe perguntou: “Esse é o único poema ou há outros?” “Eu disse sim, tenho vários, e ele me disse: Dê um jeito de datilografa-los e me traga para eu dar uma olhada”. A olhada do professor Leônidas nos 26 poemas, deram vida a DESENCONTROS, o primeiro livro de Jaime Vieira.  Hoje Jaime já coleciona 7 livros e 39 prêmios literários. O último livro é a antologia poética que tem como título REENCANTO ll  
A redação de O FATO pediu ao autor para escolher um dos poemas da coletânea para publicarmos e Jaime escolheu MARINGÁ, MARINGÁ:  
MARINGÁ MARINGÁ
Por entre as árvores vestida de verde, e de flores, o ano todo, de janeiro a janeiro, uma emoção caminha, pega-me por inteiro eu começo a imaginar.  A cabocla do Ingá cresceu tanto e tanto que para meu espanto agora sim, começou “a dar o que falar”. Maringá, Maringá, já não te vejo vestida de chita, vejo-te cada vez mais bonita, de cabeça erguida, vestida de tafetá, convida-me sorridente e me rever feliz diariamente e por aqui, sempre ficar. Sob a sombra dos teus espigões que me assombram, arquitetam esperanças, meço tempo e te vejo ainda tão criança, carregando nos ombros, do nosso tempo o peso imenso do amanhã.  E com o orgulho sinto o vento do orgulho derrubando o velho muro e com pressa, abrindo às pressas, as portas do progresso para você passar.  Maringá, Maringá, uma ilusão errante faz-me sentir gigante orgulhoso e feliz, assim. É que no meio de tudo nas sacolas do teu agora tu carregas, sobretudo também um pouco de mim. Enquanto isso, as minhas ilusões, sem compromisso, procuram rimas para te saudar. Maringá, Maringá, já não é preciso e nem consigo imaginar, apenas sei que já aprendi que longe de ti já não posso mais ficar.