.

sábado, 3 de março de 2018

“Reforma da Previdência é uma ação do governo contra os trabalhadores”
(Ana Lúcia Rodrigues - Observatório das Metrópoles - Maringá)

Envelhecer no Brasil não é fácil e chega a ser perverso para milhões de pessoas. A aposentadoria ou pensão é a única forma de sobrevivência para a grande maioria das pessoas idosas brasileiras. Muitos estudiosos afirmam que se a Previdência Social Pública não existisse estas pessoas idosas não teriam como sobreviver, pois 70% dos aposentados no Brasil dependem exclusivamente da aposentadoria como fonte de renda*. 62% dos aposentados no país recebem apenas 1 (um) salário mínimo, ou seja, R$ 954,00.

REFORMA APÓS AS ELEIÇÕES
A Reforma da Previdência que está em tramitação no Congresso Nacional foi suspensa por enquanto, mas será retormada com força após as eleições. Os deputados e senadores que são favoráveis à reforma, são maioria no Congresso mas não tiveram coragem de votar contra os trabalhadores brasileiros antes das eleições. Todavia, se forem reeleitos votarão sem pestanejar.
A PREVIDÊNCIA ESTÁ MESMO FALIDA ? 

O argumento do “presidente” Temer é que a Reforma se faz necessária, pois não há recursos suficientes para pagar as aposentadorias. Justo a aposentadoria, um direito fundamental garantido pela Constituição Federal de 88 a toda a população que contribuiu com uma vida inteira de trabalho para construir as riquezas do país. Podemos dizer que esse direito é o resultado de um grande pacto social firmado por todos os brasileiros e brasileiras em prol de uma velhice com o mínimo de dignidade. Em 2015, todos os beneficios pagos significaram apenas 8% do PIB-Produto Interno Bruto.
Será que não há dinheiro para garantir esse benefício promordial para a população?
O Brasil pagou, em 2015, R$ 480 bilhões de reais para 90 milhões de aposentados e pensionistas. E pagou R$ 502 bilhões, só de juros da dívida pública, a meia dúzia de banqueiros. Além de beneficiar os banqueiros especuladores, o governo deu um desconto de R$ 100 bilhões de impostos para grandes empresários. Em 2016 a farra continuou, pois os deputados aprovaram Medida Provisória do governo Temer, apelidada de “MP do Trilhão”– que levará a União a perder cerca de R$ 1 trilhão nos próximos 25 anos, em decorrência da isenção fiscal concedida a empresas estrangeiras que atuam agora nos campos de petróleo brasileiros (pois agora o Petróleo não é mais nosso). Isso também se repete em relação às empresas de telecomunicações e a grandes fazendeiros. Em janeiro de 2018, o presidente abriu mão de mais de R$ 12 bilhões de arrecadação com uma Medida Provisória que permite a renegociação de dívidas bilionárias de meia dúzia de grandes proprietários rurais. Além de tudo isso, há também muitas empresas, inclusive bancos que têm lucros estratosféricos, que são grandes devedoras da Previdência. Considerando apenas o ano de 2015, houve uma sonegação de R$ 103 bilhões, sendo que somados os anos anteriores, há uma dívida total do setor privado para com a Previdência de R$ 374 bilhões.

Resposta: há dinheiro para bancar as pensões e as aposentadorias para a população, mas falta respeito e reconhecimento à história vivida por cada pessoa que construiu esse “Brasilzão”.  A velhice não pode ser uma maldição e não é. Deve ser o coroamento da existência, um momento da vida em que as pessoas merecem ficar um pouco mais tranquilas, aproveitar a convivência com filhos, netos, bisnetos, amigos e amigas. Um momento com tempo livre para fazer o que quiser. Convido a todas as pessoas idosas de Maringá e região para aproveitar a liberdade desse momento e usar cada minuto de suas vidas na luta contra esta que é chamada Reforma da Morte. Em respeito aos cabelos grisalhos, a cada história construída e em honra à vida.
Ana Lúcia Rodrigues – professora da UEM e coordenadora do Observatório das Metrópoles de Maringá (fone: 3011-4287; email: observatorio@uem.br