“Reforma da Previdência é
uma ação do governo contra os trabalhadores”
(Ana Lúcia Rodrigues -
Observatório das Metrópoles - Maringá)
Envelhecer no Brasil não é fácil e chega a ser
perverso para milhões de pessoas. A aposentadoria ou pensão é a única forma de
sobrevivência para a grande maioria das pessoas idosas brasileiras. Muitos
estudiosos afirmam que se a Previdência Social Pública não existisse estas
pessoas idosas não teriam como sobreviver, pois 70% dos aposentados no Brasil
dependem exclusivamente da aposentadoria como fonte de renda*. 62% dos
aposentados no país recebem apenas 1 (um) salário mínimo, ou seja, R$ 954,00.
REFORMA
APÓS AS ELEIÇÕES
A Reforma da Previdência que está em tramitação no
Congresso Nacional foi suspensa por enquanto, mas será retormada com força após
as eleições. Os deputados e senadores que são favoráveis à reforma, são maioria
no Congresso mas não tiveram coragem de votar contra os trabalhadores
brasileiros antes das eleições. Todavia, se forem reeleitos votarão sem
pestanejar.
A
PREVIDÊNCIA ESTÁ MESMO FALIDA ?
O argumento do “presidente” Temer é que a Reforma se
faz necessária, pois não há recursos suficientes para pagar as aposentadorias.
Justo a aposentadoria, um direito fundamental garantido pela Constituição
Federal de 88 a toda a população que contribuiu com uma vida inteira de
trabalho para construir as riquezas do país. Podemos dizer que esse direito é o
resultado de um grande pacto social firmado por todos os brasileiros e
brasileiras em prol de uma velhice com o mínimo de dignidade. Em 2015, todos os
beneficios pagos significaram apenas 8% do PIB-Produto Interno Bruto.
Será que não há dinheiro para garantir esse
benefício promordial para a população?
O
Brasil pagou, em 2015, R$ 480 bilhões de reais para 90 milhões de aposentados e
pensionistas. E pagou R$ 502 bilhões, só de juros da dívida pública, a meia
dúzia de banqueiros. Além de beneficiar os banqueiros especuladores, o governo
deu um desconto de R$ 100 bilhões de impostos para grandes empresários. Em 2016
a farra continuou, pois os deputados aprovaram Medida Provisória do governo
Temer, apelidada de “MP do Trilhão”– que levará a União a perder cerca de R$ 1
trilhão nos próximos 25 anos, em decorrência da isenção fiscal concedida a
empresas estrangeiras que atuam agora nos campos de petróleo brasileiros (pois
agora o Petróleo não é mais nosso). Isso também se repete em relação às
empresas de telecomunicações e a grandes fazendeiros. Em janeiro de 2018, o
presidente abriu mão de mais de R$ 12 bilhões de arrecadação com uma Medida
Provisória que permite a renegociação de dívidas bilionárias de meia dúzia de
grandes proprietários rurais. Além de tudo isso, há também muitas empresas,
inclusive bancos que têm lucros estratosféricos, que são grandes devedoras da
Previdência. Considerando apenas o ano de 2015, houve uma sonegação de R$ 103
bilhões, sendo que somados os anos anteriores, há uma dívida total do setor
privado para com a Previdência de R$ 374 bilhões.
Resposta:
há dinheiro para bancar as pensões e as aposentadorias para a população, mas
falta respeito e reconhecimento à história vivida por cada pessoa que construiu
esse “Brasilzão”. A velhice não pode ser
uma maldição e não é. Deve ser o coroamento da existência, um momento da vida
em que as pessoas merecem ficar um pouco mais tranquilas, aproveitar a
convivência com filhos, netos, bisnetos, amigos e amigas. Um momento com tempo
livre para fazer o que quiser. Convido a todas as pessoas idosas de Maringá e
região para aproveitar a liberdade desse momento e usar cada minuto de suas
vidas na luta contra esta que é chamada Reforma da Morte. Em respeito aos
cabelos grisalhos, a cada história construída e em honra à vida.
Ana Lúcia Rodrigues – professora da UEM
e coordenadora do Observatório das Metrópoles de Maringá (fone: 3011-4287;
email: observatorio@uem.br

