Ligiane Ciola
MARINGÁ – O amor pela arte, o comerciante Mário Novais,
maringaense de origem mineira herdou da mãe, uma costureira capaz de realizar
proezas com retalhos de tecidos.
De
tanto observar o trabalho da mãe ele acabou por absorver o dom de transformar
objetos que perderam suas funções, em obras de arte que ele classifica como
“arte ocupacional”, onde reciclar é a palavra de ordem. Uma pistola de cola quente que não funciona
mais, une-se a pedaços de arames dando vida a um galo.
“Esse galo ainda não está
concluído”, diz Mário, e pergunta: “Você acha que se parece com um galo?”
Nós dizemos que sim, e lhe perguntamos como foi que ele desenvolveu esse dom. “Conheci
minha esposa na Igreja Adventista. Ela ajudava no departamento de evangelização
infantil e para ficar perto dela, passei a ajuda-la, construindo maquetes e
outros trabalhos que ajudavam a ilustrar as histórias para as crianças. Foi
assim que eu aprimorei o meu conhecimento e comecei a incluir vários materiais
na criação das minhas obras”.
Embalagens, jornais, papelão, latas, botões, parafusos,
pregos, cortadores de unhas, brinquedos, telefones, pilhas, enfim, tudo o que
não serve mais, vira presa do Mário, que sustenta a ideia de que “as
transformações podem fazer um mundo melhor”, e explica que “a
arte pode transformar vidas assim como transformar materiais”.
Não parece mas esse boneco fazendo ginastica foi feito
com exemplares de O FATO MANDACARU. Uma glória para um jornal.
Quem ouve Mário explicar como se faz uma obra como essa,
pensa que é tudo fácil. Basta juntar um monte de cacarecos e sair colando uns
nos outros, mas não é bem assim. Suas obras, são personagens, possuem
identidade, derivam de episódios de sua vida e observa-las, nos faz perceber se
quisermos, que estão em movimento. São animados.
O homem amigo da terra, foi o nome que um grupo de
estudantes deu um robô que o artista produziu usando um pouco de tudo.
O laboratório de Mario Novais fica em sua loja na estação
rodoviária de Maringá. O artista raramente vende seus objetos mas fica muito
feliz quando as pessoas param para observa-los.
“Eu tenho como objetivo trabalhar com um clube de
serviços, e aí sim, passaremos a vender as obras. O dinheiro que arrecadaremos será
destinado a um grupo de jovens carentes. Outra coisa que eu quero fazer, é
passar esse conhecimento para frente, ensinar jovens a trabalhar com a arte”
MÁRIO NOVAIS
Facebook – ARTES PLÁSTICA DURACEL

