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terça-feira, 12 de junho de 2018

LEI QUE DÁ VIDA A “RENDA DE CIDADANIA” JÁ EXISTE DESDE 2004, MAS AGUARDA REGULAMENTAÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL


EDUARDO SUPLICY   “O desenvolvimento se for para valer tem que significar maior grau de liberdade para todos”
Por Virgínia Salomão   
   
(FOTO - Su Stathopoulos)


SÃO PAULO - O programa proposto por Eduardo Suplicy é escrito detalhadamente no livro que leva o mesmo nome – RENDA DE CIDADANIA, A SAÍDA É PELA PORTA, tem como ambição substituir o Bolsa Família que não atingiu toda a população e nem resolveu totalmente o problema social daqueles que tiveram acesso.
“Se nós quisermos de fato erradicar a pobreza extrema, prover dignidade, liberdade real para todos, construir um Brasil justo e civilizado, a solução é instituir um programa de RENDA DE CIDADANIA”. A sustentar tal ideia é o Eduardo Suplicy, que hoje é vereador na cidade de São Paulo mas que, já ocupou o cargo de Senador da República por 24 anos e que será novamente candidato ao Senado pelo Estado de São Paulo.  
RENDA DE CIDADANIA É DIGNIDADE PARA TODOS
 A ideia que já é aplicada em alguns países europeus, especialmente nos nórdicos, tem como princípio que “todo cidadão tem direito a dignidade e que o Estado, tem que garantir um standard mínimo de recursos econômicos a todos os brasileiros residentes no país, mas também a estrangeiros que vivem regularmente há pelo menos 5 anos no território”.  


Virgínia Salomão - Como o senhor pensa que reagirão os ricos a essa proposta?
Eduardo Suplicy - “Ao contrário daquilo que acontece com o programa BOLSA FAMÍLIA que estabelece vários requisitos para o acesso à renda, a RENDA DE CIDADANIA não discrimina ricos ou pobres, ou seja, qualquer cidadão, do desempregado ao empresário mais rico, todos terão direito.  Para os mais ricos parecerá pouco mas para os mais pobres será vital. Os ricos que antes eram excluídos da partilha agora participarão aos dividendos que promoverá justiça social no país”.
Suplicy quer que os candidatos a Presidente da República assumam o compromisso de colocar em prática o programa de renda básica de cidadania que segundo ele “deve ser suficiente para prover as necessidades vitais do cidadão, como, alimentação, saúde, educação”.
No alto de seus 77 anos, 40 dos quais dedicados a política partidária, Suplicy diz que antes de mais nada, “a vantagem desse programa é que ninguém precisa ficar discutindo sobre quem tem direito ou não. Todos tem direito. Eu levo 4 minutos para explicar os requisitos do BOLSA FAMÍLIA e mesmo assim, é difícil que se entenda tudo, já com RENDA DE CIDADANIA todos entendem em 30 segundos”.
Garantir a RENDA MÍNIMA a todo cidadão é uma forma de estimular as pessoas a progredirem na vida, diz o político. “Hoje, muita gente tem vergonha de receber o subsídio e os que não tem acesso, os acusam de renunciar a encontrar trabalhos melhores para não perder o direito à renda. O programa RENDA DE CIDADANIA elimina esse suposto problema, já que ninguém perderá jamais o direito à renda porque passou a ganhar mais”.
Aos céticos Suplicy explica que com a renda mínima de cidadania, ninguém precisará mais ceder a propostas que as levem para fora da legalidade ou que firam a própria dignidade. As pessoas ganharão o direito de dizer não diante de uma única proposta indigna.
Na verdade, a lei para colocar em prática o programa RENDA DE CIDADANIA já existe, foi aprovada com voto consensual de todos os partidos no Congresso Nacional. Isso aconteceu em 2004 durante no final do primeiro mandato do Presidente Luís Inácio Lula da Silva. A lei 10.835/2004, aguarda ser aplicada. Um estudo está sendo feito pela Fundação Perseu Abramo que apresentará ao Parlamento como sugestão de regulamentação e aplicação.


“Se for para aceitar o consumo tão suntuoso dos ricos, nós precisamos antes assegurar a sobrevivência de toda a humanidade” ( DALAI LAMA – livro Uma ética para o novo milênio)