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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

O FATO NO PASSADO - ITÁLIA 2003 - ENTREVISTA COM O ISLAMISTA TARIQ RAMADAN - O homem que venceu um processo contra governo americano


O encontro com Tariq Ramadan, suiço de origem egipcia, hoje (professor de Estudos Islâmicos Contemporâneos e Teologia na Universidade de Oxford, membro  das Faculdade de Estudos Islâmicos do Catar, Universidade Mundiaplis do Marrocos onde ensina Filosofia e também na Universidade Perlis da Malásia), aconteceu no âmbito de um congresso sediado pela Universidade de Estudos de Brescia, sobre islamismo e integração na Europa.
 Ainda vivendo sob o pânico dos atentados terrorísticos de suposta origem islâmica, a Europa discutia como integrar árabes e acabar com O MEDO DOS MUÇULMANOS ... A grande pergunta era: O ISLAM EXCLUI A DEMOCRACIA ?







Eu e Ligiane estávamos na Itália há 8 meses, e na tv, trabalhávamos há pouco mais de 6. Havíamos feito algumas entrevistas em italiano, sempre dentro da sede da emissora, e ali, sempre que um entrevistado não nos entendia, alguém do belo time da redação nos ajudava e colocava as coisas nos trilhos. 


Estimulado por Giorgio Mora, Chefe de Redação da extinta TV RTB NETWORK, 829SKY, decidi que era hora de colocar o meu ainda frágil conhecimento da lingua em jogo: Daquele dia em diante, fizemos isso todos os dias. Essa entrevista porém, tem um valor significativo para mim, pois naquele momento percebi que Giorgio me estava colocando em contato com uma grande civilidade. 

Tariq, ficou muito mais famoso anos depois, por ter seu visto negado pelo governo dos Estados Unidos por várias vezes, sob a alegação de que havia contribuído economicamente com grupos terroristas. O professor na verdade havia feito uma modesta doação ao Comitê de Caridade da Palestina. Tais doações eram usadas pelo governo americano em todos os casos em que Universidades contratavam ou admitiam, professores e alunos de origem islâmica. Depois de 4 anos de batalhas judiciais, finalmente Ramadan pôde lecionar nos Estados Unidos. Sua vitória criou um precedente de justiça e favoreceu milhares de pessoas que se encontravam na mesma situação. Não mas sob a guia de Bush, a América de um recém chegado Obama não se opôs, acolheu a decisão e abriu um novo espiral para o fim das hostilidades, não do medo. 


Entrevistas como essa e milhares de outras que Tariq concedia nos anos que precediam e durante a batalha judicial, foram os verdadeiros motivos para os vários nãos do departamento de imigração americano. As doações, instrumentalizadas pelos americanos, foram usadas como motivo na mídia que tudo transforma em verdade.




José Carlos Leonel