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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

ASSEMBLÉIA PÚBLICA SOBRE AS ZEIS ATRAI A ATENÇÃO DO MERCADO. CLÁUSULA DE REVERSÃO IMPEDIRÁ A AÇÃO DE ESPECULADORES. Prefeitura espera reduzir déficit habitacional da cidade criando oportunidades para financiamentos de até R$130 mil



Por: Ligiane Ciola

A audiência pública convocada para consultar a população sobre a oportunidade de transformar 21 lotes privados que se encontram ociosos em ZEIS, Zonas Especiais de Interesse Social, atraiu muitos proprietários de terrenos, profissionais do mercado, tais como, construtores de vários portes e imobiliaristas.


O auditório Hélio Moreira praticamente esgotou sua lotação ontem (04) à noite. O motivo de todo esse interesse, é a grande ocasião de negócios que o ambicioso projeto da Prefeitura poderá gerar, caso a intenção de construir cerca de 4,5mil moradias destinadas a famílias que se enquadram nos padrões de renda do Minha Casa, Minha Vida se concretize.  

A estimativa de injeção de dinheiro proveniente de financiamentos beira R$600 milhões. Outros fatores que fazem com que o projeto seja visto como uma grande ideia, são pela ordem, o aquecimento da construção civil, a geração de empregos diretos e indiretos, além dos reflexos que poderá produzir no comércio, na economia em modo geral, mas também na arrecadação de impostos após a conclusão das obras.

Os 21 lotes identificados e mapeados após um "chamamento" lançado pela prefeitura a proprietários de terrenos em março de 2018, estão localizados dentro do perímetro urbano de Maringá, e isso atende as necessidades previstas no estatuto das cidades, que em 2001, reconheceu os direitos à moradia e à cidade, visando a inclusão social das classes econômicas menos favorecidas. 

"Não queremos concentrar as pessoas em uma única área periférica da cidade, mas sim em contextos urbanizados e aparelhados com serviços que lhes proporcionem completa integração com a cidade", diz Sigmar Otaviano Navachi, Secretário Municipal de Planejamento Urbano. 

Entre as diversas dúvidas manifestadas através de perguntas lançadas pelo público, algumas pareceram denotar preocupações com possíveis casos de especulação econômica.


Celso Márcio Lorin, Diretor de Habitação da SEPLAN, diz que a prefeitura criou uma "cláusula de reversão" que transforma o zoneamento mas obriga o proprietário de terreno a respeitar as exigências dentro dos prazos previstos, sob pena de perder a condição que lhe possibilita participar do processo. 


"A participação ao processo não pressupõe direito adquirido. Essa condição é prevista no chamamento. As especulações não encontrarão espaço pois os empreendimentos tem um teto de valor. Se ele não oferece o produto final dentro do valor, passa a não interessar mais à Prefeitura. Imaginamos unidades habitacionais com teto máximo de R$130 mil, mas já existem projetos de R$100 mil, conclui Lorin.


Os benefícios para os proprietários, vão desde obter bons preços pelos lotes que passam a poder abrigar até construções verticais, aumentando suas capacidades de unidades habitacionais, até a isenção de IPTU durante todo o período de construção e de ISS das edificações. 

A expectativa da Prefeitura, é que todo o processo burocrático seja superado no prazo máximo de 18 meses, para que finalmente comece a abertura dos canteiros. 

Quando um dos participantes levantou a possibilidade de que venham a ser construídas mais habitações do que a demanda do mercado, os titulares do SEPLAN lembraram que atualmente, 6700 pessoas estão inscritas nas listas de espera da Prefeitura, e que esse número não reflete o déficit habitacional do município que é bem maior.

Tiago Martins, corretor da Imobiliária Marly Imóveis, foi ainda mais enfático sobre o tema:  

"Trabalhamos há muitos anos com o Minha Casa, Minha Vida, e a gente percebe que muita gente que nasceu e cresceu em Maringá, e que tem todas suas vidas aqui, trabalham aqui, gastam aqui, acabam tendo que viver em outras cidades. O custo da entrada de um imóvel em Maringá é muito alto. Caso se crie oportunidades de financiamentos com entrada de R$15mil até R$ 20mil e prestações de mais ou menos R$600, venderemos tudo na mesma hora. As pessoas não conseguem comprar simplesmente porque não existem imóveis nesta faixa de preço.".


As futuras unidades habitacionais terão como prioridade atender as listas de espera da Prefeitura, mas não são exclusivas para esse grupo, que terá que preencher os requisitos exigidos no período das graduações de acesso aos financiamentos. Entretanto, a Prefeitura informa que abriu outro processo de chamamento e que até 31 de dezembro, outros proprietários de lotes poderão inscrever-se.

O próximo passo será o envio à Câmara de uma minuta de alteração da lei de zoneamento. Os lotes passarão ainda pelo crivo do Conselho Municipal de Planejamento e Gestão Territorial e Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maringá (IPPLAM).


BAIRROS QUE POSSUEM LOTES QUE PODERÃO SER INCLUÍDOS NO ZONEAMENTO DA CIDADE:

JARDIM SÃO DOMINGOS
JARDIM OURO COLA
GLEBA RIBEIRÃO PINGUIM
JARDIM ATAMI
JARDIM ESPANHA
JARDIM MADRID
CONJUNTO NEY BRAGA
JARDIM MANDACARU
GLEBA PATRIMÔNIO MARINGÁ
GLEBA RIBEIRÃO MORANGUEIRO
LOTEAMENTO BOM JARDIM (AVENIDA GUAIAPÓ)  
RECANTO DOS MAGNATAS

LOTES:
Lote 23/32 – Gleba Ribeirão Colombo;
Lote 135 – Gleba Patrimônio Maringá;
Lote 175,175-A,175B,175-C,176-C – Gleba Patrimônio Maringá;
Lote 37/333/37-B-1 – Gleba Ribeirão Pinguim;
Lote 48-D/1/2/3 – Gleba Ribeirão Pinguim;
Lote 50 (REM.) – Gleba Ribeirão Pinguim;
Lote 1/7-A-1-A – Gleba Ribeirão Pinguim;
Lote 1/7-A-1-A-1 – Gleba Ribeirão Pinguim;
Lote 1/7-A-1-A-2 – Gleba Ribeirão Pinguim;
Lote 55-A-1 – Gleba Patrimônio Maringá;
Lote 106-A/2 – Gleba Ribeirão Maringá;
Lote 371 – Gleba Patrimônio Maringá;
Lote 376/383 – Gleba Patrimônio Maringá;
Lote Data 02/03 – Jardim Espanha;
Lote 92-A-1 – Gleba Ribeirão Morangueiro;
Lote 532 – Gleba Patrimônio Maringá;
Lote 533 – Gleba Patrimônio Maringá;
Datas 01 a 21 – Quadra 491 – Loteamento Bom Jardim;
Lote 13B/13 – Gleba Ribeirão Morangueiro;
Chácara 52 – Recanto dos Magnatas;
Chácara 53 – Recanto dos Magnatas