José Carlos Duarte é da turma que veio ao mundo em 68, nasceu na pequena Lucélia - interior de São Paulo, e só se transferiu para Maringá aos 20 anos depois de passar no vestibular da UEM e ingressar no curso de zootecnia. Apesar da timidez, o jovem careca cabeludo logo se enturmou com os músicos que tocavam nos bares do entorno, e foi assim que começou a despontar musicalmente o percussionista conhecido como ZÉ DUARTE. Clube da esquina, último gole e Free, são nomes de alguns dos bares noturnos que o viram aprimorar sua técnica. Eclético e criativo, logo chamou a atenção de músicos que viraram colegas, viraram parceiros musicais e viraram amigos. " O Moacir Filho (referindo-se ao cantor, compositor e professor universitário) foi um dos primeiros a me dar uma chance. A parceria com ele foi uma honra, me apresentou a noite maringaense." "Car Wash, Chaplins, MPB Bar, Old Square, Luna Lunera, Passarela, Água Doce, Yellow. São nomes de locais onde se respirava música e quem conheceu me entende; na verdade toquei em muitos outros, do mais requintado ao mais simples, nunca desprezei espaços que abriam para a música. Não tenho ideia de quantas vezes subi ao palco, mas foram mais de mil que hoje formam um mar de lembranças.
TRIO KAZA - duas formações sem mudar a harmonia Zé Duarte relembra o Trio com olhos lúcidos de quem luta para não deixar escapar uma lágrima. "O Trio nasceu em 1998 com Paulinho Schoffen na guitarra e violão, Theodoro no baixo e comigo na percussão. Em 2000 o Theodoro deixou o grupo para fazer sua especialização em uma Universidade em outra cidade, e foi ai que convidamos o Ronaldo Gravino para substitui-lo. Foi tudo ótimo sempre, pois o Gravino, além de excelente músico é também um experiente produtor e havia realizado nosso primeiro cd. Com o Trio, diz Zé Duarte, "abrimos shows de artistas importantes como Marcelo Nova e Belchior em 2000 e 14 BIS, Osvaldo Montenegro, Zé Ramalho e Zé Geraldo no ano seguinte. Foi o ápice.
Uma das recordações mais queridas que tenho, e que tocar no Kaza me proporcionou, é do dia em que estávamos nos bastidores do show do Geraldo Azevedo. Após nossa participação no show de abertura, me convidaram para tocar com ele, minhas pernas tremiam, deu tudo certo, mas quase morri". O percussionista apaixonado narra também o encontro com o autor de Disparada. Theo de Barros o assistiu tocar e depois lhe disse: "Nunca pare de tocar, você tem o brilho e alma de músico." Mas o Zé parou em 2006, só profissionalmente. Naquele período, o mercado profissional das bandas MPB começava a perder mercado para sub-gêneros e modices, e o músico Zé Duarte não encontrando apoio, decidiu sabiamente dedicar o mesmo grau de talento em outros setores profissionais. Fez escola de gastronomia, aprendeu muitas coisas sobre o comércio e hoje é dono do CAFE DU ZÉ, no Shopping Mandacaru. O encontro com esse músico em letargo foi um bom papo com um excelente café. Posicionado no hall de entrada, em frente as escadas rolantes, o Café Du Zé é uma tentação para os passantes. Aqui, o café é do tipo bebida e o pão de queijo é divino. Falo só daquilo que mais consumo, mas nos meus planos está comer também tapiocas, tortas salgadas e doces. Tudo, com cordial atendimento, dele, de sua esposa Elaine de Oliveira e de seu sobrinho Gustavo. Entre um café e uma história, Zé Duarte folheia seu book recheado de fotos e recortes de jornais que sozinhos, contariam muito bem suas histórias, mas não nos emocionariam, já o Zé sim.
Em tempo: O Zé Duarte, o
percussionista, já está cedendo. No mês passado, no show do dia dos pais que aconteceu
na praça de alimentação do shopping, o Zé tocou com os músicos e amigos Enéas e
Tijolo. A vontade do Zé é ajudar a organizar eventos musicais de qualidade e
quem sabe, deixar que o destino faça o resto. Antes de me despedir o Zé me
disse: " A música não sairá jamais da minha vida".





