“ESSAS CPIS NÃO DÃO EM NADA”,
DIZ MÁRIO HOSSOKAWA
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| foto: Ligiane Ciola |
Mário Hossokawa, possui uma longa experiência política. Entrou na vida pública em 1983, foi vice prefeito na segunda gestão de Said Ferreira (1993/1996), coleciona seis mandatos de vereador, três dos quais como Presidente da Câmara Municipal. Além disso, assumiu o cargo de Prefeito interinamente em três ocasiões: 1994, 1996 e 2010.
Em 1996, Hossakawa não concorreu a uma vaga na
Câmara, mas acabou trabalhando na gestão de Jairo Gianoto (1997/2000) como secretário
municipal.
Na gestão de Roberto Pupim (2013/2016) ocupou a
chefia de gabinete por dois anos e por outros dois anos foi chefe do Procon.Na gestão atual, foi escolhido novamente para
exercer o cargo de Presidente da Câmara Municipal mas não tem sido fácil, nem
para ele e nem para os outros quatorze vereadores. Todo esse stress, que Mário diz “não sentir”,
talvez tenha também influenciado no seu estado de saúde. Em março desse ano,
Hossokawa teve que submeter a uma cirurgia para implantar pontes de safena e
teve que ficar trinta dias afastado da Câmara.
J.C.LEONEL
– A
pauta da câmara está bem carregada de assuntos polêmicos, que demandam atenção
e recursos especiais, como a CPI do transporte público, a questão da Sanepar, tem
também a CPI sobre um vereador, além daquilo que deve chegar do executivo, ou
seja, Projeto de lei complementar sobre o Estatuto da Guarda Municipal que
trabalhará armada e terá orçamento próprio, tem também a questão da lei de
abertura dos supermercados, desentendimentos com um veículo de comunicação e no
meio disso tudo, o senhor ainda enfrentou problemas de saúde. Tá difícil?
MÁRIO
HOSSOKAWA – Eu sempre penso que para ser presidente da Câmara Municipal em
circunstâncias como essas que você citou, é preciso experiência e agir com
naturalidade. Eu sou Presidente pela terceira vez e ajo com serenidade, mas é
lógico que não é fácil.
Essa questão dos supermercados por exemplo, na época,
quando foi discutido e votado, eu estava licenciado mas se eu estivesse aqui eu
teria votado contra. Creio que o comércio deva ter liberdade para abrir quando
quiser pois os grandes supermercados geram muitos empregos. Sou contra o poder
público interferir em questões administrativas da iniciativa privada. A única
coisa que eu cobro, e que os empresários respeitem as leis trabalhistas. Sobre
a comissão processante do vereador Marchese, está suspensa temporariamente,
está no tribunal de justiça, porém dia mais, dia menos, vai voltar para a casa
e aí, a Câmara vai ter que delegar. A comissão processante vai ter que fazer o
seu trabalho. Sobre a CPI do transporte público, eu disse para os colegas
vereadores: “É uma situação muito delicada para a Câmara, antes de mais nada
porque nós não temos técnicos para analisar uma planilha de custos e conseguir
compreender se o valor praticado ou requisitado é justo”. Nós não temos
estrutura para isso e além de tudo, quando se fala de quebra de contrato com a
TCCC, no meu ponto de vista, a Câmara não tem poder para fazer isso, é o executivo
que poderá fazer.
Ao
longo dos anos já enfrentamos tantas CPIS nessa casa, da TCCC mesmo, já houve
no passado, teve também a do Parque Industrial, do Intermodal, mas o fato é que
a Câmara nunca chegou a lugar nenhum com essas CPIS, e quando chega a alguma
coisa, não acontece nada. A gente envia o relatório final ao Ministério
Público, ao o Poder Executivo, para o Tribunal de Contas, mas qual é o
resultado obtido? Nada! Não dá em nada. A Câmara acaba se desgastando e as
pessoas começam a dizer que tudo termina em pizza, foi assim no passado e
sempre dirão que houve acerto, coisas que obviamente não são verdades. Eu sou
terminantemente contra fazer CPIS como estão fazendo.
J.C.LEONEL
- Como
funciona a gestão dos vereadores que se candidataram a deputado mas não se
licenciaram do cargo?
MARIO
HOSSOKAWA: Nós temos tomado muito cuidado, alertamos os vereadores candidatos,
baixamos uma portaria que deixa claro tudo aquilo que a lei eleitoral permite e
não permite, e eles sabem que é terminantemente proibindo fazer campanha
política dentro da Câmara Municipal. Um exemplo: Não podem usar qualquer tipo
de equipamento, computadores, telefones, usar a tribuna da Câmara para pedir
voto, os gabinetes também não podem ser usados como se fosse comitês eleitorais,
nem mesmo para armazenar material de campanha. Estamos atentos, vamos
fiscalizar mas como todos se comprometeram a cumprir aquilo que diz a leis, nós
queremos também confiar honestidade intelectual deles.
J.C.LEONEL
- A
quem pensa de anular o próprio voto, o que o senhor diz?
MÁRIO
HOSSOKAWA – Quando encontro pessoas que me dizem que vão anular o voto, que não
votarão em ninguém porque não confiam mais em políticos, digo a eles que na
verdade estarão elegendo do mesmo modo. Eu sempre falo para as pessoas que
anular o voto na verdade é anular a si mesmo. Votar em branco ou nulo não é
solução para melhorar a classe política que temos. Se queremos ter um país bom
temos que fazer uma análise criteriosa dos candidatos, do passado do candidato,
de suas ideias. Se a gente não votar, elegeremos aquelas pessoas que
aprontaram, que roubaram e que partiram para a corrupção. Anular o voto é ceder
espaço a pessoas ruins. Tem muita gente que não quer votar porque está
revoltada e eu não tiro a razão dessas pessoas mas não existe outro percurso
além desse que é o voto democrático.
J.C.LEONEL - O que levou o senhor a trocar de partido? MÁRIO
HOSSOKAWA - O desastre que aconteceu em 2012. Fui o terceiro candidato mais
votado com quase 4000 votos mas não me elegi vereador em razão do partido
(PMDB) não ter conseguido obter o coeficiente eleitoral. Houve candidatos que
se elegeram com pouco mais de 1500 votos. Isso é absurdo, por isso tive que
deixar o PMDB pois no meu entendimento, se eu continuasse ali, não teria sido
eleito vereador nesta gestão, tanto é, que o PMDB não elegeu ninguém para essa
legislatura.
J.C.LEONEL
– Que análise o senhor faz da performance da Câmara nesses 20 meses de mandato
e nos fala da sinergia no relacionamento entre o legislativo e o executivo?
MÁRIO
HOSSOKAWA – Eu creio que a produtividade da Câmara é muito boa. Aprovamos
muitos projetos de lei e creio que podemos atribuir esse resultado ao fato que
temos muitos vereadores que estão no primeiro mandato, então eles chegam cheios
de vontade, querem mostrar serviço e estão trabalhando bem, apesar dessas duas
CPIS contemporaneamente. Já o relacionamento com o prefeito é muito bom. Apesar
da chapa do prefeito ter eleito somente dois vereadores, até agora só tivemos
um veto de um parágrafo ou artigo por parte do prefeito, nos demais sempre
houve entendimento
J.C.LEONEL
– A reforma da câmara foi motivo de controvérsia entre o senhor e uma rádio da
cidade. O senhor não acha que a entrevista que os jornalistas ofereceram em
alternativa ao direito de resposta que o senhor pediu, teria sido mais útil
para fazer luz sobre o assunto? O que
incomoda o senhor nesse assunto?
MÁRIO
HOSSOKAWA – Na verdade, nada me incomoda. Nesses 35 de vida pública não tenho nenhum
processo, nem por improbidade administrativa, nada. O que eu não aceito são
insinuações, e por isso não aceitei ser entrevistado. Disseram que a licitação
da Câmara era com cartas marcadas, mas foi tudo regular e nós temos um corpo
técnico de licitação que garante isso. Não fui eu que inventei essa reforma,
foi um pedido do Corpo de Bombeiros, é coisa que vem lá da administração
anterior. Os bombeiros pediram adequações pois julgavam que a situação aqui era
perigosa e nós fizemos as adequações com muita economia. Inicialmente o projeto
previa um gasto que hoje seria de quase 4 milhões de reais, mas nós
desmembramos o projeto inicial e conseguimos fazer com 1 milhão e duzentos e
trinta e um mil. Eu sempre digo que a imprensa pode me criticar à vontade,
estou sujeito a erros, todo mundo erra, mas insinuações maldosas como fizeram
eu não aceito. Não era o caso de conceder entrevista a eles, mas de reconhecerem
e de retratarem-se, tanto que o judiciário me deu razão.



