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sábado, 1 de setembro de 2018

PRESIDENTE DA CÂMARA ELOGIA TRABALHO DOS VEREADORES MAS CRITICA ABERTURAS INDISCRIMINADAS DE CPIs


 “ESSAS CPIS NÃO DÃO EM NADA”,

DIZ MÁRIO HOSSOKAWA  

foto: Ligiane Ciola

 

 

  Mário Hossokawa, possui uma longa experiência política. Entrou na vida pública em 1983, foi vice prefeito na segunda gestão de Said Ferreira (1993/1996), coleciona seis mandatos de vereador, três dos quais como Presidente da Câmara Municipal. Além disso, assumiu o cargo de Prefeito interinamente em três ocasiões: 1994, 1996 e 2010.


Em 1996, Hossakawa não concorreu a uma vaga na Câmara, mas acabou trabalhando na gestão de Jairo Gianoto (1997/2000) como secretário municipal.

Na gestão de Roberto Pupim (2013/2016) ocupou a chefia de gabinete por dois anos e por outros dois anos foi chefe do Procon.Na gestão atual, foi escolhido novamente para exercer o cargo de Presidente da Câmara Municipal mas não tem sido fácil, nem para ele e nem para os outros quatorze vereadores.  Todo esse stress, que Mário diz “não sentir”, talvez tenha também influenciado no seu estado de saúde. Em março desse ano, Hossokawa teve que submeter a uma cirurgia para implantar pontes de safena e teve que ficar trinta dias afastado da Câmara. 


J.C.LEONEL – A pauta da câmara está bem carregada de assuntos polêmicos, que demandam atenção e recursos especiais, como a CPI do transporte público, a questão da Sanepar, tem também a CPI sobre um vereador, além daquilo que deve chegar do executivo, ou seja, Projeto de lei complementar sobre o Estatuto da Guarda Municipal que trabalhará armada e terá orçamento próprio, tem também a questão da lei de abertura dos supermercados, desentendimentos com um veículo de comunicação e no meio disso tudo, o senhor ainda enfrentou problemas de saúde. Tá difícil? 

MÁRIO HOSSOKAWA – Eu sempre penso que para ser presidente da Câmara Municipal em circunstâncias como essas que você citou, é preciso experiência e agir com naturalidade. Eu sou Presidente pela terceira vez e ajo com serenidade, mas é lógico que não é fácil.
Essa questão dos supermercados por exemplo, na época, quando foi discutido e votado, eu estava licenciado mas se eu estivesse aqui eu teria votado contra. Creio que o comércio deva ter liberdade para abrir quando quiser pois os grandes supermercados geram muitos empregos. Sou contra o poder público interferir em questões administrativas da iniciativa privada. A única coisa que eu cobro, e que os empresários respeitem as leis trabalhistas. Sobre a comissão processante do vereador Marchese, está suspensa temporariamente, está no tribunal de justiça, porém dia mais, dia menos, vai voltar para a casa e aí, a Câmara vai ter que delegar. A comissão processante vai ter que fazer o seu trabalho. Sobre a CPI do transporte público, eu disse para os colegas vereadores: “É uma situação muito delicada para a Câmara, antes de mais nada porque nós não temos técnicos para analisar uma planilha de custos e conseguir compreender se o valor praticado ou requisitado é justo”. Nós não temos estrutura para isso e além de tudo, quando se fala de quebra de contrato com a TCCC, no meu ponto de vista, a Câmara não tem poder para fazer isso, é o executivo que poderá fazer.

Ao longo dos anos já enfrentamos tantas CPIS nessa casa, da TCCC mesmo, já houve no passado, teve também a do Parque Industrial, do Intermodal, mas o fato é que a Câmara nunca chegou a lugar nenhum com essas CPIS, e quando chega a alguma coisa, não acontece nada. A gente envia o relatório final ao Ministério Público, ao o Poder Executivo, para o Tribunal de Contas, mas qual é o resultado obtido? Nada! Não dá em nada. A Câmara acaba se desgastando e as pessoas começam a dizer que tudo termina em pizza, foi assim no passado e sempre dirão que houve acerto, coisas que obviamente não são verdades. Eu sou terminantemente contra fazer CPIS como estão fazendo.

J.C.LEONEL - Como funciona a gestão dos vereadores que se candidataram a deputado mas não se licenciaram do cargo?

MARIO HOSSOKAWA: Nós temos tomado muito cuidado, alertamos os vereadores candidatos, baixamos uma portaria que deixa claro tudo aquilo que a lei eleitoral permite e não permite, e eles sabem que é terminantemente proibindo fazer campanha política dentro da Câmara Municipal. Um exemplo: Não podem usar qualquer tipo de equipamento, computadores, telefones, usar a tribuna da Câmara para pedir voto, os gabinetes também não podem ser usados como se fosse comitês eleitorais, nem mesmo para armazenar material de campanha. Estamos atentos, vamos fiscalizar mas como todos se comprometeram a cumprir aquilo que diz a leis, nós queremos também confiar honestidade intelectual deles.

J.C.LEONEL - A quem pensa de anular o próprio voto, o que o senhor diz?

MÁRIO HOSSOKAWA – Quando encontro pessoas que me dizem que vão anular o voto, que não votarão em ninguém porque não confiam mais em políticos, digo a eles que na verdade estarão elegendo do mesmo modo. Eu sempre falo para as pessoas que anular o voto na verdade é anular a si mesmo. Votar em branco ou nulo não é solução para melhorar a classe política que temos. Se queremos ter um país bom temos que fazer uma análise criteriosa dos candidatos, do passado do candidato, de suas ideias. Se a gente não votar, elegeremos aquelas pessoas que aprontaram, que roubaram e que partiram para a corrupção. Anular o voto é ceder espaço a pessoas ruins. Tem muita gente que não quer votar porque está revoltada e eu não tiro a razão dessas pessoas mas não existe outro percurso além desse que é o voto democrático.



















 J.C.LEONEL - O que levou o senhor a trocar de partido?                                            MÁRIO HOSSOKAWA - O desastre que aconteceu em 2012. Fui o terceiro candidato mais votado com quase 4000 votos mas não me elegi vereador em razão do partido (PMDB) não ter conseguido obter o coeficiente eleitoral. Houve candidatos que se elegeram com pouco mais de 1500 votos. Isso é absurdo, por isso tive que deixar o PMDB pois no meu entendimento, se eu continuasse ali, não teria sido eleito vereador nesta gestão, tanto é, que o PMDB não elegeu ninguém para essa legislatura.  

J.C.LEONEL – Que análise o senhor faz da performance da Câmara nesses 20 meses de mandato e nos fala da sinergia no relacionamento entre o legislativo e o executivo?

MÁRIO HOSSOKAWA – Eu creio que a produtividade da Câmara é muito boa. Aprovamos muitos projetos de lei e creio que podemos atribuir esse resultado ao fato que temos muitos vereadores que estão no primeiro mandato, então eles chegam cheios de vontade, querem mostrar serviço e estão trabalhando bem, apesar dessas duas CPIS contemporaneamente. Já o relacionamento com o prefeito é muito bom. Apesar da chapa do prefeito ter eleito somente dois vereadores, até agora só tivemos um veto de um parágrafo ou artigo por parte do prefeito, nos demais sempre houve entendimento



J.C.LEONEL – A reforma da câmara foi motivo de controvérsia entre o senhor e uma rádio da cidade. O senhor não acha que a entrevista que os jornalistas ofereceram em alternativa ao direito de resposta que o senhor pediu, teria sido mais útil para fazer luz sobre o assunto?  O que incomoda o senhor nesse assunto?

MÁRIO HOSSOKAWA – Na verdade, nada me incomoda. Nesses 35 de vida pública não tenho nenhum processo, nem por improbidade administrativa, nada. O que eu não aceito são insinuações, e por isso não aceitei ser entrevistado. Disseram que a licitação da Câmara era com cartas marcadas, mas foi tudo regular e nós temos um corpo técnico de licitação que garante isso. Não fui eu que inventei essa reforma, foi um pedido do Corpo de Bombeiros, é coisa que vem lá da administração anterior. Os bombeiros pediram adequações pois julgavam que a situação aqui era perigosa e nós fizemos as adequações com muita economia. Inicialmente o projeto previa um gasto que hoje seria de quase 4 milhões de reais, mas nós desmembramos o projeto inicial e conseguimos fazer com 1 milhão e duzentos e trinta e um mil. Eu sempre digo que a imprensa pode me criticar à vontade, estou sujeito a erros, todo mundo erra, mas insinuações maldosas como fizeram eu não aceito. Não era o caso de conceder entrevista a eles, mas de reconhecerem e de retratarem-se, tanto que o judiciário me deu razão.